Representantes discutem como destinos estão enfrentando a pandemia em live da Câmara LGBT

A Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil realizou hoje a sua primeira live para discutir as estratégias dos destinos nacionais e internacionais para o atual cenário do setor. À frente da transmissão, estava Ricardo Gomes, Presidente da Câmara LGBT, e mediação coube ao Diretor de Turismo da entidade, André Raynaud.

O bate-papo recebeu três convidados: Vinicius Lummertz, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Oscar Almedros Bonis, Diretor do Escritório de Turismo da Embaixada da Espanha no Brasil e Gisele Abrahão, CEO da Global Vision Access (GVA), que representa os destinos Mônaco, Noruega e Seychelles.Durante a conversa, o tema central abordado foi como os destinos estão reagindo a essa pandemia causada pela COVID-19 e também como o turismo vai se preparar para a retomada do setor, um dos mais afetados pela crise.

Logo no início, relembrando que o setor já venceu outras crises, o Secretário de Turismo do Estado de São Paulo afirmou que é necessário ter planejamento e cautela para ações. “O inesperado tem acontecido na história da humanidade de tempos em tempos. Esses tempos são desafiadores”, disse Lummertz.

Em sua primeira fala a CEO da GVA, Gisele Abrahão, relembrou que os destinos que representa sofreram grandes impactos com a pandemia, uma vez que o turismo exerce forte influência na economia, principalmente de Seychelles. No entanto, ressaltou que os três – Noruega, Seychelles e Mônaco – souberam contornar a situação de uma maneira rígida, o que fez com que os números de vítimas fossem controlados. “Essas medidas rígidas de fechamento e isolamento social trazem sim benefícios, pois percebemos que a curva de infectados foi diminuindo e, agora, esses países já estão se programando para reabrirem aos poucos e, assim, recomeçarem”, explicou Gisele.

Outro destino que tem forte impacto do turismo na economia, a Espanha tem um desafio maior pela frente, já que o país possui um grande número de vítimas da Covid-19. Por isso, Oscar Almedros ressaltou a importância de garantir a segurança dos viajantes. “A Espanha, como todos os países, vai ter muita prudência em sua retomada, tomando todos os cuidados necessários de proteção e higiene. O plano de recuperação espanhol está sendo feito em coordenação com outros países europeus. Ele vai depender das medidas adotadas por cada um”.

Mas já é possível pensar em ações mesmo durante a pandemia. Gisele Abrahão lembrou a importância de até mesmo o turismo ajudar nesse momento crítico. A CEO da GVA lembrou que Noruega, Seychelles e Mônaco fizeram ações nesse sentido: “O foco não foi na divulgação dos destinos, mas sim propagar o bem-estar. A Noruega, por exemplo, lançou um material sobre 10 maneiras de enfrentar uma pandemia como um norueguês. Já Mônaco, disponibilizou receitas de chefs estrelados. É importante que tenhamos em mente que todos sentem falta desse contato humano, de receber bem os turistas”. Já a Espanha, segundo Oscar, se preocupou com campanhas para proteger os mais vulneráveis durante a pandemia, inclusive a população LGBTQ+, incluindo como enfrentar a discriminação aos LGBTQ+.

Apesar de não ter nenhuma data concreta para a retomada do turismo nos destinos, os convidados apresentaram algumas ações para o futuro. Segundo Vinicius Lummertz, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, o foco é priorizar também os destinos nacionais, como parques naturais, temáticos e até mesmo centros históricos para visitar. Para ele, a prioridade é sair dessa fase seguindo todos os protocolos de saúde e higiene. Além disso, alega que o turista LGBTQ+ é importante na retomada do setor por ser um público qualificado e educado. “As pesquisas demonstram que a prioridade dos brasileiros neste momento não é o turismo. O setor não aparece nem no terceiro plano. No entanto, quando você pergunta para a pessoa o que ela gostaria de fazer agora, a primeira resposta que surge é viajar. Por isso, a curto prazo, é necessário fazer com o que turismo opere de forma atrativa para os turistas”, conclui.

Além da prioridade ser proteger a segurança e higiene dos locais, a capacitação dos profissionais para receber o turista LGBTQ+ também entra como importante item a ser trabalhado nos destinos. “O momento é sim de planejar e proteger todos os viajantes. Mesmo com todas as políticas de capacitação para o turismo LGBTQ+, é possível encontrar turistas que possuam receios para conhecer determinado destino. É importante deixar claro que Mônaco, Seychelles e Noruega são apoiadores do segmento”, lembrou Gisele Abrahão.

Em uma palavra de otimismo, todos os convidados lembraram que apesar do momento delicado, é hora de buscar adaptação e pensar em novas possibilidades. Como Oscar afirmou, “toda crise é uma oportunidade. É hora dos destinos aprenderem quais serão as novas demandas do turismo e oferecer segurança aos viajantes. A economia vai sim passar por uma contração, mas o turismo vai gerar possibilidades para o turista. Para isso, a capacitação é muito importante.”

Para finalizar o encontro, nosso presidente, Ricardo Gomes, deixou uma reflexão sobre a retomada do turismo no pós-pandemia: “Quando isso passar, vamos precisar arrumar, descobrir e reinventar a forma de viajar”.

Confira a live na íntegra: https://www.facebook.com/watch/live/?v=228156445183426&ref=watch_permalink

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