A Revolução de Stonewall e a importância para o Dia do Orgulho LGBTI+

Era madrugada do dia 28 de junho de 1969 quando tudo mudou. Nesta noite, no verão nova iorquino, o que aconteceu no Stonewall Inn representou um marco para que não só os EUA mudassem, mas o mundo. A comunidade LGBTI+ já não suportava mais a violência que era submetida. Até o ano de 1962, era proibido ser homossexual nos EUA sob risco de cumprir severas penas. Apesar da Revolta de Stonewall estourar anos depois, essa parcela da população nunca deixou de ser alvo de preconceito pelo simples motivo de escolherem ser o que, de fato, são: pessoas livres para amar. Hoje, 51 anos depois, a data 28 de junho nunca mais foi a mesma, pois é o Dia do Orgulho LGBTI+.

Mas, por que é tão importante o que aconteceu no bar Stonewall Inn em Nova York? Não era fácil viver a sua liberdade na época. Ali, naquele estabelecimento entre os números 51 e 53 da Christopher St, no bairro de Greenwhich Village, os LGBTI+ tinham um lugar para chamar de seu. Apesar do bar comandando por mafiosos pagar um alto valor de porpina, não eram raras as batidas policiais. No entanto, nesta madrugada do dia 28 de junho, os que estavam ali presentes e, consequentemente, o resto do mundo, não sabiam que não seria uma batida qualquer. A exaustão e o sofrimento falaram mais alto.

Nesta noite, havia mais de 150 pessoas quando a polícia entrou e acabou com a diversão de todos. Luzes acesas, som desligado. Um fim de noite “típico”, cuja comunidade LGBT já estava “acostumada”. Dessa vez não. A resistência falou mais forte, assim como o clamor pelo respeito à liberdade e à diversidade. O estopim da confusão foi quando aconteceu uma briga entre uma mulher e um policial. Uma aglomeração foi se formando na porta do bar, símbolo LGBTI+ de NY, e tudo que podia ouvir dessa população exausta de sofrer eram os versos de “We shall overcome”. No português, a letra representa exatamente o que a comunidade LGBTI+ anseia: a liberdade.

“Um dia venceremos (…)

Nós vamos caminhar de mãos dadas, algum dia.

Oh, no fundo do meu coração,

Viveremos em paz (…)

Todos seremos livres, algum dia.

Oh, no fundo do meu coração,

Não temos medo”

Nas noites seguintes, mais protestos e resistência. A comunidade LGBTI+ não ia tolerar mais ficar “trancada” e calada. Foram às ruas fazer o que todos têm direito: demonstrar afeto e ser quem são. Manhanttan, à noite, ganhou uma nova roupagem: a comunidade estava reivindicando o direito pela liberdade e pelo respeito. Mais uma vez, a polícia chegou e, com isso, mais noites de confusões.

Ao todo, foram cinco dias de conflitos. A resistência LGBTI+, a partir da noite de 28 de junho, mostrou que essa comunidade tinha uma força inigualável. Assim, o mundo nunca mais foi mesmo. Os EUA não foram os mesmos. Começaram, então, a surgir organizações responsáveis pelos direitos LGBTI+ e, um ano após a Revolução de Stonewall, surgiram as Paradas de Orgulho LGBTI+. O evento acontece mundialmente e reúne milhares de pessoas que marcham em prol da causa LGBTI+. No Brasil, a Parada de São Paulo é considerada a maior do mundo, e é o evento no calendário brasileiro que mais concentra turistas na cidade.

Para celebrar esta data tão importante, o Dia do Orgulho LGBTI+, reunimos algumas pessoas simbólicas na comunidade LGBTI+ para falarem da importância da Revolução de Stonewall:

 

Matéria escrita por
Amanda Santiago
Jornalista do Comitê de Comunicação da Câmara LGBT do Brasil

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