Dia do Orgulho Lésbico: A invisibilidade da mulher lésbica e queer no turismo

Agosto é considerado o mês da Visibilidade Lésbica, sendo a data de 29, a escolhida para representar o Dia de Luta Contra a Lesbofobia e Bifobia. A origem se deu em 1996, no Rio de Janeiro, quando acontecia o 1° Seminário de Mulheres Lésbicas. A importância desse mês é de trazer à tona a causa que, durante muito tempo, focou nos homens gays. A invisibilidade lésbica está presente em todos os âmbitos, inclusive no turismo.

“Esse sentimento de invisibilidade pode ser visto em todas as esferas da sociedade e isso ocorre porque a mulher lésbica é vítima de um duplo preconceito: ser mulher e ser LGBTI+. Ou seja, mistura o machismo com a LGBTQfobia. No turismo, não poderia ser diferente. As pessoas que estão discutindo o meio nos principais eventos, comitês e feiras, por exemplo, são homens, gays e brancos”, comenta Gabriela Torrezani, do site de viagens Estrangeira.

Como mulher lésbica, Gabi se mostra empenhada na luta para a inserção desse público na sociedade e, principalmente, no turismo. Com o seu trabelho e de sua esposa no site de viagens Estrangeira, ela conta que acaba inspirando outras meninas que passam pela mesma situação e que sentem dificuldade na hora de encontrar referências na hora de programar uma viagem.

“Nós falamos a realidade em nossas redes sociais, no blog e no YouTube. Quando um local não é tão seguro para o nosso público, fazemos questão de falar a verdade até mesmo para proteger as mulheres de possíveis problemas que podem surgir. Com isso, o nosso trabalho no Estrangeira também acaba inspirando outras mulheres lésbicas e bissexuais a serem produtoras de conteúdo. O turismo precisa ser mais inclusivo e diverso. Precisamos ver mais mulheres lésbicas nos fóruns, debates, eventos e feiras. Precisamos ser convidadas para esses eventos e, assim, formarmos uma voz”, conta.

Além disso, a invisibilidade lésbica se confirma ainda mais quando, por não se sentirem inclusas, passam a se identificar mais com o turismo hétero do que com o turismo LGBTI+ friendly. Dana Picolli, uma mulher queer à frente do site Queer Media Matters, afirma que é preciso que o marketing turístico enxergue a mulher lésbica e queer.

“A mulher queer e lésbica viaja bastante. Se os destinos e as agências de viagens realmente quisessem incentivar o nosso público, o primeiro ponto é falar com a gente. Não tem saída! O turismo precisa investir em uma consultoria com queers e lésbicas, pois dessa forma, passarão a, de fato, realizar um trabalho diverso, inclusivo e diferencial. Pare de pensar no óbvio: os bares gays, os resorts gays, etc. Mostre que você é inclusivo e acolhedor e que quer que as mulheres queer e lésbica viajem até o seu destino. Somos consumidores extremamente leais e temos muito mais probabilidade de ir a algum lugar em que nos sintamos bem-vindos e comercializados”, explica Dana.

O turismo, notoriamente, precisa trabalhar para a criação de ambientes seguros e acolhedores para todos. Além disso, o setor precisa conhecer mais sobre diversidade e, principalmente, se informar sobre lésbicas e mulheres queer e o motivo pelo qual elas viajam.

“Precisamos lembrar que o setor de turismo subestima as viajantes lésbicas que, na verdade, viajam mais do que as mulheres heterossexuais, mas muitas vezes são confundidas com outro tipo de consumidor”, conta Merryn Johns, Editora-chefe da Revista Curve. “Por exemplo, lésbicas viajam com frequência para participar de festivais e eventos do Orgulho em todo o mundo e para relaxamento, romance, aventura e ecoturismo. Também é muito provável que viajem em grupos e, o mais importante, para seus casamentos. A maioria dos casais de lésbicas acaba se casando, de acordo com pesquisas da Curve,  em destinos longe de casa tanto para a cerimônia quanto para a lua de mel”, continua.

Para a jornalista,  o turismo (e a sociedade como um todo) precisa entender a diversidade das mulheres LGBTQ. Merryn reforça que os destinos precisam ter a mente aberta para enxergarem hóspedes em potencial.

“Os velhos tempos de pensar que apenas homens gays viajam – e esses homens são brancos, jovens e usam sungas – esses dias acabaram. É importante que os enxerguem um público efetivo e que enviem uma mensagem convidativa a esses clientes. Isso pode ser tão simples quanto incluir o símbolo do Arco-íris na propaganda ou, se o orçamento permitir, incluir mulheres homossexuais nas campanhas de imagem”, diz Merryn.

Matéria escrita por
Amanda Santiago
Jornalista do Comitê de Comunicação da Câmara LGBT do Brasil

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