Como Mônaco se tornou referência no turismo de luxo

Cenário de filmes como GoldenEye e Monte Carlo, Mônaco é referência em turismo e serviço de luxo. No entanto, o Principado, que é um dos associados da Câmara de Comércio e Turismo LGBT, nem sempre teve a fama de destino turístico. Na história, ao estudar a linha do tempo dos acontecimentos marcantes, Mônaco, assim como seus vizinhos europeus, passou por momentos de conflitos e disputas. Por lá, a monarquia só foi estabelecida no início de XVII com o então lorde de Mônaco, que passou a ser chamado de Honoré II.

É apenas em 1641, com a assinatura do Tratado de Péronne pelo rei francês Louis XIII, que Mônaco tem a sua independência como Principado e sob proteção da França. A imagem de um país moderno e reconhecido internacionalmente veio a ser construída na segunda metade do século XIX com o príncipe Charles III, que criou uma série de transformações, como a reforma dos sistemas jurídicos e administrativos, além de desenvolver as relações diplomáticas, exposições internacionais e criação de uma nova nobreza.

No entanto, o tamanho que Mônaco possui hoje não era o mesmo desde o início. Devido a problemas com dois municípios, Menton e Roquebrune, o príncipe assinou um tratado com a França e, por isso, foi preciso vender a maior parte do território do principado para o país francês, e, assim, passou a ter sua autonomia reconhecida. A perda da maior parte do território foi uma das principais impulsionadoras do turismo na região.

Para suprir as perdas econômicas com a redução do território, Charles III começou a investir em jogos de azar com a condição que o monopólio desse negócio seria para a Societé des Bains de Mer (SBM) e para o Cercle des Etrangers, de François Blanc, que se responsabilizariam pela construção de estradas, transporte terrestre e marítimo, além de abastecimento de água e gás, entre outros.

Esse feito atraiu membros da alta sociedade europeia, começando a colocar Mônaco como destino turístico dessa parcela da população. O famoso Cassino de Monte Carlo foi aberto em 1863 e, na época, reuniu diversos turistas de toda a Europa, que passavam o dia jogando, mas à noite, retornavam a suas casas. Por isso, o cassino do principado é o único no mundo que possui relógios, justamente, para os apostadores não perderem a hora do trem.

Os anos foram passando e novas construções foram realizadas, como Hotel de Paris e o Café Divan. Essa região ao entorno do hotel e do cassino foi conhecida como Monte Carlo, que se firmou como destino turístico de sucesso. O clima ameno do local fez com que ele se tornasse um grande sucesso principalmente durante o inverno, pois na maior da parte da Europa era muito frio.

A vida cultural de Mônaco começou a se firmar com a construção da Ópera House e também com novas extensões do cassino, onde foram realizados shows de alta qualidade e com artistas importantes, colocando o principado cada vez mais no holofote de destino de luxo. A ideia, no início, era fazer shows voltados ao público feminino, pois enquanto as mulheres assistiam aos espetáculos, seus maridos estariam no cassino fazendo suas apostas.

Com o tempo, novos hotéis, restaurantes e estabelecimentos foram construídos. Esse desenvolvimento fez com que Mônaco fosse considerado referência em turismo luxo e de intensa programação cultural. Na gastronomia, são centenas de restaurantes com foco nas mais diferentes culinárias mundiais, além de Mônaco possui seis restaurantes com estrela Michelin.

Destino moderno e divertido, Mônaco também passou a priorizar ações de cunho sustentáveis, pois acredita que precisa estar vinculado a atitudes responsáveis. No “novo” normal que surge pós-pandemia, a sustentabilidade será um dos principais pontos a serem trabalhados pelo setor do turismo. Durante a crise que todo o mundo atravessa, o principado, que vive majoritariamente do turismo – principal setor afetado -, criou a campanha Miss You para mostrar a seus visitantes a importância de cada um e a falta que fazem na rotina do destino que vibra turismo.

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